Prompt
é pauta?

Na prática

O que quem trabalha com IA no dia a dia aconselha: faça isso, evite aquilo.

As dicas vêm dos relatos dos jornalistas ouvidos nas matérias do projeto. Não são regras oficiais de nenhum veículo, e cada redação define as suas. Confira a política da sua.

01 Pauta

Teste ideias com a IA, mas escolha o assunto você

Segundo Daniela Savieri, produtora da RPC

Faça

Parta da sua ideia e peça à ferramenta caminhos para desenvolvê-la. Daniela adaptou um prompt para a IA agir como um “editor-chefe exigente”, que questiona as propostas antes da reunião de pauta.

Evite

Tratar a sugestão como pauta pronta. Relevância, viabilidade e fontes ainda dependem da avaliação jornalística.

Leia a matéria: Uma pauta em dois minutos: o que os jornalistas fazem com o tempo que a IA economiza?

03 Checagem

Número, nome e link: confira na fonte original

Segundo Maria Pohler, RPC, e Ícaro Lima, Instituto FALA!

Faça

Quando a IA entregar um dado, procure a fonte original e veja se o número corresponde ao que foi apresentado. Maria já recebeu links que não funcionavam.

Evite

Tratar a IA como fonte. Ela pode apresentar nomes, números e acontecimentos que não existem, ou atribuir uma declaração que nunca foi dada.

Leia a matéria: O ChatGPT entrou na faculdade. Será que o ensino de Jornalismo acompanhou?

04 Documentos

Pergunte ao documento, depois volte a ele

Segundo Leonardo Siqueira, Estadão, e Daniela Savieri, RPC

Faça

Use a ferramenta para localizar trechos em processos e relatórios longos. Leonardo coloca um processo de 200 páginas no NotebookLM e pergunta onde alguém disse algo.

Evite

Publicar o que você não leu no documento original.

Leia a matéria: De “será que devemos?” a “até onde vamos?”

05 Texto

A escrita continua sendo sua

Segundo Ícaro Lima, Instituto FALA!, e Marcelle Nogueira, Cidade Alerta Paraná

Faça

Use a IA como parceira de brainstorming e de revisão: peça opções de chamadas, teste a fluidez de uma frase para a TV e escolha você.

Evite

Reduzir o seu papel a aprovar uma resposta pronta. A decisão final é de quem assina.

Leia a matéria: Quando todo mundo escreve com IA, quem ainda tem voz própria?

06 Tradução e transcrição

Avise o leitor e revise

Segundo Leonardo Siqueira, Estadão, e Ícaro Lima, Instituto FALA!

Faça

No Estadão, as traduções de matérias da AP e da AFP feitas com apoio de IA são revisadas por jornalistas e o leitor é informado. A transcrição de entrevistas é outro uso apontado por Ícaro.

Evite

Publicar uma tradução sem revisão humana e sem avisar.

Leia a matéria: De “será que devemos?” a “até onde vamos?”

07 Imagem, voz e vídeo

Identifique o que é artificial

Segundo Higor Paulino, Instituto FALA!, e Maria Pohler, RPC

Faça

Use marca-d’água explícita em imagens geradas por IA e, em vídeos, durante todo o tempo em que o vídeo é exibido.

Evite

Usar uma imagem fotorrealista gerada por IA como se fosse o registro do fato. A AP proíbe IA generativa para criar, alterar ou aprimorar fotografias jornalísticas.

Leia a matéria: Essa foto nunca existiu: o dilema das imagens de IA no jornalismo

09 Transparência

Conte ao leitor onde você usou IA

Segundo Higor Paulino, Instituto FALA!, e Ícaro Lima, Instituto FALA!

Faça

Explique ao público em que momentos usou IA e, se a sua redação não tem regras, proponha uma política. O Grupo Globo, por exemplo, pede supervisão humana, transparência e respeito aos direitos autorais.

Evite

Deixar tudo por conta da iniciativa individual, sem orientação da redação.

Leia a matéria: Essa foto nunca existiu: o dilema das imagens de IA no jornalismo

Antes de publicar

Sete perguntas para fazer antes de publicar um texto, uma imagem ou um áudio em que você usou IA.